Lava Jato não deve ser suficiente para limpar transporte no Rio

Quem acompanha o longo histórico de problemas do sistema rodoviário no Rio dormiu com a alma lavada ontem ao ver que o empresário Jacob Barata Filho, o herdeiro do “Rei dos Ônibus”, rumava para a cadeia. No dia seguinte, outros colegas de Barata, como o presidente da Fetranspor, Lelis Teixeira, seguiram o mesmo rumo. Mas e o outro lado da história? E o lado político? Por enquanto, é uma incógnita que coloca um pouco de água no chope.

Apesar de falar em um esquema que envolve políticos, a petição do Ministério Público Federal resultou apenas em uma prisão de um ex-agente público importante: Rogério Onofre, que foi presidente do Detro.

É claro que vale lembrar que o grande chefe de mais um dos esquemas montados no governo estadual é, segundo o MPF, Sérgio Cabral. Por mais que agora seja uma figura morta, foi graças ao trabalho dos procuradores que isso aconteceu. 

A Operação Ponto Final, porém, traz uma certa decepção. Para o tamanho da influência que os empresários de ônibus historicamente exercem nos poderes de nosso estado, o que ocorreu até agora soa como pouco.

É difícil, por exemplo, acreditar que deputados influentes não tivessem feito parte mais diretamente do esquema. Ao que parece, por força das circunstâncias, a operação teve de ir para a rua antes de hora. E isso pode ter feito com que algo ficasse pelo caminho. 

A petição do MPF divulgada nesta segunda-feira também tem trechos um pouco confusos como o que fala em propina aos empresários. A propina não é voltada ao agente público? Ficou difícil de entender.

O que também desalenta é que não há aparentemente entre os procuradores envolvidos no caso intenção de seguir os rumos da apuração para o Executivo e a Câmara de Vereadores da capital. O motivo é o foco específico em desmantelar a organização criminosa de Cabral.

A própria petição que embasou os pedidos de prisão lembra dos negócios que os empresários têm com o município do Rio. Três presos, por exemplo, fazem parte do Conselho de Administração da Concessionária VLT Carioca, que administra o transporte implementado a custo milionário pela prefeitura.

Mas quem espera que tudo seja passado a limpo talvez se decepcione. Delações ainda podem respingar em quem não apareceu, mas é difícil prever. A Lava Jato não pode abraçar o mundo.

Talvez um MP Estadual mais atuante fosse a solução. Ainda que o passado recente não nos dê muita esperança sobre isso.

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